8 de abril de 2016

Mendigo

Noites ao relento,
Protegendo-se do frio
É uma sopa quente, que dá alento
A mais um dia vazio.

Casa de mantas e cartão
Numa esquina qualquer
É o canto protegido,
Onde em caso de perigo
Se procura proteger.

Mendiga por um pão,
Algo com que se possa alimentar
E assim sobreviver
A mais um dia abandonado
A uma triste realidade
Que existe mesmo ao nosso lado
Se que seja vista de verdade.

Dias a deambular,
Sem um caminho traçado
Sendo que o destino final
Para mais um dia banal
É o canto gelado,
Irregular, molhado
Onde acaba por se deitar
E dormir "acordado".

Uma vida de solidão
Onde se é olhado com desdém
E um gesto amigo,
Que seria sempre bem vindo
Tarda ou não vem.

4 de abril de 2016

Vou partir...

Vou partir...
Sem rumo, nem direcção
Parto sem qualquer razão
Que queira vos dizer.
Parto para me conhecer
Ou conhecer o meu passado
Onde, sem nunca dizer adeus
Fiquei acorrentado.

Preso, nas lembranças
Nos sonhos de crianças
Vive o meu ser,
Esquecendo de viver
O presente,
O momento,
Apagando para sempre
Cada sensação e sentimento.

Parto para me soltar,
Para regressar ao dia-a dia
Para o passado enterrar
E sentir a alegria
De viver o hoje,
O que o mundo tem para oferecer
Em vez de me refugiar no passado
Que não quero esquecer.

Quebro as amarras
Soltando um barco à deriva
De novos desafios,
De desejos, de aventuras.
Parto sem rumo, às escuras
Aberto ao que poderá acontecer
Pronto para finalmente viver
Cada experiência que surgir.

31 de março de 2016

Amor desfeito!

Vejo-te partir...
Agarro a tua mão,
Mas sinto-a a fugir
Sem tempo para pensar
Sem forma de a agarrar
Leva o meu coração.

A distância vai aumentando
Ao ritmo de cada estação
Sem que a dor vá passando
Por me teres abandonado
Nesta vida, desamparado,
Sozinho, em solidão.

Já não te vejo no meu olhar
Estarás gravada na minha mente
Que terá de chegar
Para que possa viver
Ou melhor, sobreviver,
Sem ficar demente.

És uma ferida por sarar
Aberta em meu peito
Desde que escolheste me deixar
Por um orgulho em demasia
Quebrando um laço que existia
E que para sempre ficou desfeito.

22 de março de 2016

Lembra-te de mim...

Lembra-te de mim...
Faz de mim uma recordação
Daqueles dias de Verão
Que não voltarão a acontecer
Nesta vida passageira
Onde a felicidade é matreira
E não nos deixa escolher
O que se quer no fim!

Lembra-te de mim...
Dos sorrisos ao luar,
Dos beijos às escondidas
Das longas noites a caminhar
Sem destinos, só partidas.
Dos afectos partilhados
Que nunca vou esquecer.
Dos desejos sonhados
Que não vamos ter!

Lembra-te de mim...
Como se não tivesse partido,
Como mais que um amigo
Que sempre quis o teu bem.

Lembra-te de mim...
Como se não tivesse morrido,
Como se estivesse sempre contigo
Mas noutra dimensão mais alem.

Lembra-te de mim,
Pois vou lembrar-me sempre de ti
E agora que morri,
Estarei sempre a vigiar-te
Dessa forma, guiar-te
Para que possas viver
O que juntos, quisemos prometer
E eu, por azar na vida, não cumpri!

14 de março de 2016

Quis agradar-te...

Quis agradar-te...
Ser o que pretendias!
Atender teus desejos
E tuas manias...

Quis agradar-te...
Mudar quem eu sempre fui
Ver a vida pelos teus olhos
E como ela flui...

Quis agradar-te...
Mudar cada defeito
Fazendo o que fazia,
Mas agora a teu jeito...

Quis agradar-te...
E mudei para o que pensava
Que era o que desejava,
Mas estava errado
E por ter mudado
Perdi-te.

Deixei de ser eu,
Por quem te apaixonaste,
E assim me abandonaste
Quando apenas tentei
No pouco que mudei
Estar ao teu lado
Como tinhas imaginado.

Queria apenas de agradar
E sozinho fiquei,
Porque abandonei
A pessoa que quiseste amar.

Monstro escondido!

Vives em mim
Em silêncio,
Adormecido,
Aguardando um motivo
Para te apoderares do meu ser
E assim satisfazer
A teu desejo de vingança.

És parte de mim,
Por muito que o queira esconder
Que tenta abafar,
És parte integrante
Deste ser vivo e errante
Que de forma a te ocultar
Não para de errar
Para parecer normal,
O que é irreal.

Encontras-te nas sombras,
A esperar o momento certo,
Uma altura de aperto,
Para tomares o controlo
E assim soltar
O desejo de lutar
Sem ter atenção
Quem se põe no teu caminho,
Levantando tudo do chão
Matando amor e carinho,
Havendo apenas ódio e destruição
Na tua maneira de ser,
No teu pensamento,
Em que fazer sofrer
É o que te dá alento.

É um monstro dentro de mim,
Acorrentado,
Escondido,
Um segredo protegido
Para que não seja revelado,
Mas se continuar a ser pressionado
Vai-se soltando a prisão
E a cada abanão
Solta-se o mostro enraivecido.

9 de março de 2016

Refúgio Mortal!

Desapareci...
Refugiei-me na profundeza
Do meu ser,
E na solidão sofrer,
Com a minha desilusão
De um mundo sem razão
Que não me soube compreender.

Fugi...
Duvidei de toda a minha certeza
Da força que outrora possuía
E no silêncio fingia
Conseguir me regenerar,
Ter forma de lutar
Contra o que não conhecia.

Desisti...
Entreguei-me à natureza
A aguardar a morte,
Como a melhor sorte
De prosseguir a minha existência
Sem esta espécie de demência
Que me fez perder o norte.

Morri...
Digo-o com toda a certeza!
Pois na minha solidão,
Endureceu meu coração
E sem forma de amar,
Não consegui evitar
Cair neste sono de escuridão...

2 de fevereiro de 2016

Entrego presente para ter um futuro!

Entrego...
Meu coração despedaçado,
Minha esperança vazia,
Meu mundo desabado,
Já sem força, sem energia.

Entrego...
Minha alma imortal,
Meus sonhos por concretizar
Meu ser carnal
Já sem vontade de lutar.

Recebe o que te ofereço
Em troca de um desejo
Não peço amor,
Nem um beijo
Apenas liberta-me desta dor
Que já não aguento, não a mereço.

Fica com tudo que não preciso
Mas liberta-me desta prisão
Que me afunda num pensamento,
Onde me altera o juízo
E cria uma reacção
Sem critério nem sentimento.

Deixa-me em paz!
Dei-te o que era importante
Mesmo que viva como um ser errante
Liberto-me das tuas teias
Que me moldam a mente
Tornando minha existência indiferente.

Quebra com este pesadelo,
Deixa seguir minha vida em frente
Liberta-me dos compromissos
Que obrigaste a aceitar
E permite-me que viva sem medo
De arriscar, de ser diferente
De ser feliz ao tentar...

26 de janeiro de 2016

Amor em cinzas...

Sorri-te a medo
E contei-te um segredo
Do medo que me invade
Em cada momento
Que bate a saudade
Por aquele sentimento.

O que dizias sentir
O que deixaste partir
Parece ter desaparecido
Para não mais voltar
Ou então nunca foi sentido
E estiveste-me a enganar.

Algo em nós
Perdeu a sua voz
E já não consegue falar
Nem tão pouco exprimir
O sentimento de amar
Que estávamos a sentir.

Duas conchas vazias
No limite das energias
Para juntos lutar
Pela chama deste amor
Que teima em se apagar
E tornar-se em cinzas, sem calor...

19 de janeiro de 2016

Plano desenhado!

Um plano desenhado
Pronto para ser seguido
É um plano entranhado
Num espírito combativo
Que se deixa corromper
Pelo desespero e ansiedade
Esquecendo-se de viver
A Vida que tem de verdade...

Um plano guardado
Num recanto da mente
Aguardando o momento esperado
Para seguir em frente.
Mas o tempo teima em não chegar
Vais perdendo a esperança
E quando o futuro se apresentar
Nem o presente será lembrança.

Pois deixas o tempo correr
Sem perceberes onde podes estar
Percebendo que o que queres ter
Poderás não alcançar,
Mas focado nesse objectivo
Perdes o presente
E vês o futuro destruído
O que tens agora e na tua mente.

18 de janeiro de 2016

Espelha o futuro!

Olho para o espelho vazio
E no reflexo vejo
A sombra de um beijo
Que no esquecimento caiu...

Olho para a imagem
Não me consigo reconhecer
E volto a me ver
Parecendo uma miragem...

Sou apenas um esboço,
Uma casca sem recheio
Talvez pelo receio
De cair num fosso...

Mas já me encontro tão fundo
Tão longe do que posso ser
Que já não tenho nada a perder
Neste existir imundo...

Sou um ser vulgar
Numa vivência cruel
Em que repito o mesmo papel
Vezes e vezes sem parar...

Sem medo do que vou encontrar
Encaro-me no espelho, de frente
E vejo, simplesmente
O meu futuro, se não mudar...

E tomo uma decisão,
Sem medos de errar
É altura de arriscar
De tomar a vida pela mão...

Não quero voltar a ver
Num espelho uma vazio
Um ser amorfo e frio
Sem força nem vontade de viver!

13 de janeiro de 2016

Preso à rotina!

Quero sair...
Procurar novos caminhos
Sem pensar em fugir
Pretendo novos trilhos
Onde possa percorrer
Onde me possa conhecer
Sem pensar em quem possa criticar
Nem ter medo de errar.

Quero partir...
Sem destino ou direcção
Ser levado pelo vento
Ou pelo bater do coração.
Apenas aproveitar o momento
Onde esqueço a razão
E deixo-me levar pelo impulso
Sem saber onde termino
Mas sabendo o que pretendo.

Quero ir...
Apenas ir!
Sem olhar para trás
Sem lembrar-me do teu olhar
Que sem querer me magoar
Dizem-me que estou errado
Que devia ficar parado
Satisfeito com o que consegui atingir
Em vez de me sentir
Impotente,
Desesperado,
Insistentemente
Desolado
Pelo que faço diariamente
Por me sentir parado no tempo
Pela vida que vejo à frente
Não ser o que quero de momento.

Quero quebrar com a rotina,
Esta vida oca
Mas enquanto vejo a vida a correr
Sinto o frio da corrente
Que me continua a prender
E não me permite fugir
A esta rotina que me sufoca.

7 de janeiro de 2016

Queria!

Queria ouvir-te!
Sentir o doce da tua voz
Percorrendo os meus ouvidos
E na multidão, estarmos sós
Cada vez mais unidos.

Queria tocar-te!
Sentir o calor pele
Quando lhe toco suavemente
E liberto o cheiro a mel
Que fica a bailar na mente.

Queria olhar-te!
Receber um sorriso de volta
Com a tua expressão divertida
Mas nasce em mim uma revolta
Com a sorte da minha vida.

Queria isto tudo,
Mas nada disto posso ter
Pois a vida levou-te do mundo
Não deixando este amor viver.

Queria só mais uma vez
Relembrar como era te abraçar
Pois na lembrança começas a desaparecer
E já não tenho nada a que agarrar.

Queria ter-te!
Mas já nada disto é permitido
De que serve amar-te
Se viver este amor foi proibido?

29 de dezembro de 2015

Troca de olhares

Olho para ti, vidrado
E desvio lentamente
Sempre com o teu sorriso na mente
Para não ser apanhado.

Olho novamente,
Vejo teus olhos brilhantes
E sonho sermos amantes
Quem sabe, eternamente...

Arrisco só mais um bocado
Só para matar a saudade
E olho-te sem maldade
Mas a desejar-te a meu lado.

Nesta dança de olhar
Sou por fim descoberto
E começas a me chamar
Para chegar-me mais perto.

Sem saber o que dizer
Vou me aproximando de ti.
Sinto meu coração a correr
Algo que nunca senti.

Notas-me desconfortável
Abres um sorriso para me acalmar
E de uma forma afável
Aproximas-te para me beijar.

Um beijo à muito desejado
Desde o primeir momento
Finalmente foi dado
Soltando este novo sentimento.

28 de dezembro de 2015

Estarei errado?

Estarei errado?
Tal pode acontecer
Se sempre que olho para o lado
Vejo alguém apaixonado
Enquanto estou a sofrer...

Estarei errado,
Por sentir o que sinto?
Tento esconder, e então minto,
Para que não me ponhas de lado
Para que te possa ver.

Estarei errado
Por alimentar este amor
Que só me trouxe dor?
Mas se sonho ctg, acordado
Como posso estar errado
Se és tu quem me dá calor?

Posso sempre errar
Mas não posso ocultar
Esse sentimento que inunda
Meu coração e afunda
Qualquer tipo de juizo
Que só me traz prejuízo
Por te amar, sem ser amado
Porque ao te amar, estarei errado...

21 de dezembro de 2015

Entrego-me...

Entrego-me ao desconhecido
Abandonando a vontade
De viver,
De sonhar,
De estar em liberdade
Para um dia voltar a amar
E usufruir de um ombro amigo
Com que pudesse compartilhar
A vida,
Um sonho,
E também um caminho.

Entrego-me à escuridão
Pois a luz faz-me relembrar
A tua recusa em me amar
Quando era demais evidente
O que te ia pelo coração
E pela mente
Quando trocavamos um olhar
E tocavas em minha mão.

Entrego-me ao silêncio,
À solidão do momento
E penso neste sentimento
Que me está a queimar por dentro
Fazendo-me transformar
Num ser que não sou
E deixando o meu coração
Em pedra, que não voltará a amar
Como já amor...

Entrego-me ao mundo,
Sem me entregar a ti,
Pois nunca me aceitaste
Como sou, como sempre te vi
E por isso já não faz sentido
Lutar por algo que não conseguirei
Mas saberás que sempre te amei
E que foi um amor profundo.

18 de dezembro de 2015

Pequenos gestos...

Um brilho no olhar
Como há muito não via
Chegou para alegrar
O resto do meu dia.

Um sorriso sem aviso
Um abraço sem esperar
É mais do que preciso
Para me aconchegar.

São pequenas coisas
Que podes nem perceber
Que transformam o dia a dia
E o de continuar a te querer.

São pequenos gestos
Sem esperar que aconteça
Que faz girar o meu mundo
Dá a volta à minha cabeça.

Um sorriso, um beijo,
Um abraço, um toque com a mão
Faz acender a chama do desejo
Guardado em meu coração.

Um carinho, uma surpresa,
Uma noite especial,
Será como um doce à sobremesa,
Será como se fosse sempre natal.

17 de dezembro de 2015

Enterro-me na escuridão!

Algo negro,
Insano,
Impuro,
Mundano,
Cresce no meu interior
E suga todo o amor
Que tinha para dar.

Algo que tem envenenado
Alimentando de um passado
Intenso e sombrio
Inrompendo das chamas
Que o frio
Não conseguiu apagar
Transforma meu coração em pedra
Sem capacidade de amar.

Fui-me perdendo aos poucos
Atirado para um abismo interior,
Onde cinzento e escuro
Vivo isolado do mundo
Sem interessar o futuro
De quem me rodeia.

Já não quero saber,
Quero viver isolado
Neste inferno ancorado
Onde não preciso de amar
Onde não possa errar
Por me sentir preocupado.

4 de dezembro de 2015

Sorri...

Sorri...
Para ti!
Para o mundo!
Para quem amas!
Para quem te odeia!

Sorri apenas porque sim
Porque te apetece sorrir
E verás o que o teu sorriso
Poderá conseguir.

Sorri por estares contente,
Para afastar a tristeza...
Sorri para alegrares a mente
Que não te quer em baixo, de certeza.

Sorri porque o teu sorriso
É algo bonito de conhecer!
Sorri quanto não for preciso
Ou quando estiver tudo a ver...

Deixa a tristeza bem guardada
Não a alimentes desnecessariamente
E assim, sem dares por nada
Verás que foi embora de repente.

Então sorri para a Vida
E para o que ela tem para te dar.
Cada hora triste, é uma hora perdida
Que não voltas a recuperar.

Sorri,
Apenas sorri...
E quando esboçares o sorriso
Esquecerás a tristeza dentro de ti.

2 de dezembro de 2015

Porto seguro!

Abraço-te em desejo,
No calor do teu abraço,
Sinto a chama do teu beijo
No aconchego do teu regaço.

Em ti me aninho,
Procuro consolação
Quando me sinto sozinho
Neste mundo de escuridão.

És a luz que me ilumina,
Que me guia para um bem melhor
A mão que me aproxima
E me alimenta com amor.

O lugar seguro,
Para onde quero voltar,
O meu bem futuro
Que procuro bem guardar.

É assim que o teu conforto
Me faz sempre sentir a cada momento.
És "apenas" o meu porto
Com quem partilho cada sentimento.